terça-feira, 13 de novembro de 2007

Dois em ...um!













A leve brisa faz do ar um movimento
agitadas, as searas espelham felicidade
registo o cheiro das flores
não duvido do regresso das emoções
sei chegado o momento do futuro
anunciado nas promessas adiadas
as cores ganham força redobrada
aceitemos então, a boa estrela da sorte

isto é o mais próximo conseguido
retrato do dia em que te vi.



CarlosP.F Abril 2007



Eu...


Quando voltar, não quero voltar a ser eu,
não quero ser água nos meus olhos,
não quero ser esta forma de escrever,
não quero a vida interior que é Inverno
sem lugar para repouso,
não quero ser mágoa de gente,
não quero recordar o rosto das palavras sem luz,
não quero ter a noção do tempo
nem tão pouco quero ser a vida inteira de um lugar.
Quando voltar, quero ver de longe o anoitecer
que cruza conversas estranhas,
quero possuir o corpo de um arrepio inclinado de desejo,
quero ser voz sobre o silêncio
em que sobram memórias,
quero ser um dia em que espero não acordar,
ser a superfície em que te guardo,
talvez ser sangue a infiltrar-se na multidão dos homens,
ser o ultimo fim de todos os dias sem fim.

Mila Maio 2007

O Fado em Lisboa


Oceano de incertezas....



Amar-te, é sentir-te como o movimento das marés...

Nesse eterno balanço de idas e vindas...

Se na maré alta tenho de ti uma certeza...

Na vazante só me restam dúvidas...

Há dias, em que o sol brilha...

Porém, há também, noites de tempestade...

Os ventos são como um lampejo da tua presença...

Que sopram e impulsionam o meu navegar...

Mas sei que sempre haverá calmarias...

Pois a solidão da onda que quebra insistente...

Traz-me a saudade que ficou de um beijo...

O calor que emana da areia branca...

Aquece o meu pensar, e me reanima...

Tenho por ti, uma vontade urgente de amar...

E um oceano de distância para te encontrar...

Olho o horizonte perdido no céu azul infinito...

Como quem olha para dentro de si mesmo...

E não encontra o porto seguro em ti, que um dia houve...

Parece que não há mais rotas, nem cartas marítimas...

Que apontavam para o farol que iluminava a vida...

E mesmo assim, o mar continua a oscilar...

Entre enchentes e vazantes persistentes a acreditar...

Amar-te, é navegar por um oceano de incertezas...

Mila
2007/09